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Entre a parede, a arte e a rua.

Entre a parede, a arte e a rua
sobre Rodrigo Sassi

Conheci Rodrigo Sassi caminhando pela rua: entre caçambas, gaiolas de anjos enlouquecidos e balanços de cadeiras. Um tempo depois, ele me convida para visitar outros lugares: seu ateliê e galerias de exposições. Percebo, então, estar entre espaços de pinturas e “instalações-esculturas”.
As pinturas são construídas por infiltrações. O escuro e o úmido das paredes clareiam-se em uma tela. Mas a pintura é formado pelo acaso. É construída por dentro. Uma estrutura de cimento contém pequenos canos perfurados. Tempo. Umidade. Fungos. Infiltração. Cores. Aquarelas.
Em “Pinturas infiltrórias”, Rodrigo desconstrói o conceito de autoria. Convida a natureza para pintar junto com ele. O gesto é dado pelo fluxo da duração. Uma “tela-construção” que brinca entre o visível e o invisível. No final, as garrafas de tinta estão lá, no espaço da galeria. Expõem o processo de criação, ao contrário.
Estico meu olhar para a paisagem ao redor. Em uma arquitetura orgânica, as “instalações-esculturas” de Rodrigo levam visões da rua para os espaços tradicionais de exposição de arte. São elementos pesados que criam um jogo paradoxal entre a construção (pela criação e pelos materiais arquitetônicos utilizados) e a desconstrução (das linhas retas, do espaço tradicional da arte, do ponto de vista e, também, da criação). “13 Pares e meio de esquinas” e “Esquina de lá # maior”, por exemplo, pensam um espaço contínuo. As esquinas curvas propõem um entrelaçamento. Os blocos de concreto enrolam e desenrolam-se por ambientes fechados.
Em tempo de hibridismos de linguagens e confluências de meios, Rodrigo chama atenção para os “espaços-entre” da arte contemporânea. Poderíamos chamá-los de “instalações-intervenções urbanas” nas galerias? Recordo-me da exposição “Camiri”, de Nelson Félix, apresentada no Museu Vale, e da instalação “Tímpano”, de José Spaniol, realizada na Capela do Morumbi. Entre imagens de recentes produções da história da arte, tropeço. Deixo a minha percepção se perder. Afinal, caminhos retos não têm graça. E a estética, se é que ainda podemos escrever esse conceito, anda de mãos dadas com o acaso.

Ananda Carvalho